Terça, 06 Junho 2023

Uma Experiência de Quase Morte em Vida

Escrito por Brian Weiss
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Uns dias após a realização de um seminário muito intenso de dois dias no qual participaram bastantes técnicos de saúde, recebi uma carta de uma das profissionais que tinha participado no seminário.

Vinha agradecer-me o facto de a ter ajudado, bem como aos outros participantes, a experimentar aquela luz maravilhosa; a mesma luz, estou convencido, que é vista e sentida pelas pessoas durante a EQM e na Experiência Pós-Morte (EPM).

Evidentemente, as pessoas podem ter um contato com esta luz através da meditação ou num estado hipnótico, bem como nos sonhos, em experiências místicas espontâneas, ou ainda de muitas outras formas. Ela tinha trinta e seis anos, mas a sua primeira experiência com a luz, uma experiência que lhe tinha ficado profundamente gravada na memória, tinha ocorrido quando ela tinha apenas catorze anos.

Queria partilhar isso comigo e eu quero que leiam as suas palavras, porque a descrição dela é clássica, precisa e séria. Os seus estudos foram feitos numa escola católica na América Latina e a sua língua mãe é o espanhol, embora a carta tenha sido escrita em inglês:

“Nunca tive nenhuma ideia sobre Experiências de Quase-Morte, ou de após a morte, de vida antes da vida, e muito menos sobre vidas passadas. Nunca imaginei que no nono ano eu já teria qualquer coisa para dizer a esse respeito.”

Durante um retiro espiritual em que todos os alunos da escola estavam a participar, um padre ensinou-lhes algumas técnicas de meditação e de visualização.

“Primeiro, instruiu o grupo para que nos deitássemos no chão e respirássemos lentamente. Em seguida, pediu que cada um de nós se visualizasse num campo lindo, cheio de flores.”

Nesse momento, a experiência daquela jovem começou a divergir e tornou-se independente das instruções do padre.

“Os pássaros chilreavam e nós podíamos apreciar o meio que nos rodeava. O padre, na sua voz tranquila, instruía-nos para continuarmos o nosso passeio naquele campo, mas eu dei por mim a franzir o meu sobrolho: já não conseguia seguir as instruções do padre. Por três vezes tentei segui-las, mas, em vez de continuar o passeio, cheguei a um poço. Sentia a voz do padre afastar-se cada vez mais, a descrever o campo, sem qualquer referência a um poço... Senti o meu corpo descontrair e rendi-me a essa sensação. Ao mesmo tempo, dei por mim a debruçar-me sobre o poço, para tentar ver o fundo, e caí lá dentro.

O poço deixou de ser um poço e passou a ser um túnel. Tinha uma pequena lanterna na minha mão direita. Comecei a andar no túnel: estava completamente às escuras e a única luz era a da minha lanterna. Passado um pouco, notei que o túnel curvava ligeiramente para a esquerda e, então, conforme me aproximava, começaram a surgir pequenos raios de luz. A cada passo que dava, a intensidade dos raios aumentava. Senti uma vontade fervorosa de descobrir o que era aquilo.

Quando dobro a esquina, exclamo: "O meu Deus!" Pensei que ia desmaiar! "Ali está! A luz mais preciosa, mais brilhante, a luz mais intensa que eu alguma vez vi! Redonda, gigante, incandescente, como o Sol, uma luz branca, pura. Parece sólida, mas ao mesmo tempo translúcida! Como é que é possível?" (Escrevi estas últimas linhas no presente porque a minha alma sabe que essa luz preciosa existe e sempre existiu, para todos nós.) Senti medo durante uns instantes, mas sentia-me irresistivelmente atraída pela luz. Com a minha lanterna na mão, tentei penetrar na luz gigante à minha frente, agitando os seus raios deslumbrantes.

Tenho de penetrar no seu interior para saber o que está por trás! Queria fazer parte dela! Consegui identificar uma polaridade masculina no ambiente da luz... Ia entrar na luz quando, de repente, ouvi uma voz forte na minha mente que me dizia: não, não se pode trespassar a luz! Ainda me recordo da energia daquela voz. Era uma voz masculina, jovem, mas não havia ninguém à vista...

Havia uma barreira invisível que me mantinha fora da luz. Logo a seguir a ter ouvido a voz, senti um empurrão forte no meu peito que me projetou para trás, a voar em círculos através do túnel... o túnel transformou-se de novo no poço e a minha queda era ascendente!

Quando saí a voar do poço, vi o céu e o campo de flores e, naquele mesmo instante, senti um impacto no meu corpo, acutilante, como se a minha alma tivesse feito uma aterragem de emergência. Tinha regressado porque não era permitido trespassar a luz...”

A experiência tocou-a tanto que ficou demasiado ansiosa para contar aquela experiência fosse a quem fosse. Durante anos, manteve toda aquela experiência com a luz como o seu segredo mais íntimo.

Doze anos mais tarde leu um artigo num jornal que descrevia a experiência de quase morte de uma menina de quatro anos. Ao ler o artigo, sentiu-se "inundada de alegria". Compreendeu então que a menina tinha podido atravessar a luz porque, por uns instantes, tinha morrido.

"Fartei-me de chorar, Já não estava só. A luz não era uma fantasia... Nunca mais voltei a sentir o amor, a paz e a divindade da minha Luz. No nosso mundo físico não existe nada que lhe seja comparável. Sinto saudades disso."

Atualmente, esta mulher trabalha num hospital, numa unidade para doentes terminais e ajuda-os a fazer a sua transição para o mundo espiritual, reconfortando-os e tranquilizando-os com base na sua própria experiência espiritual. É interessante o fato de ela ter reparado nos mesmos fenómenos que o meu irmão mais novo, Peter, e a esposa, Barbra, que são oncologistas, e cujas experiências com os seus doentes terminais são descritas no livro O Passado Cura.

A carta prossegue:

“Tenho a oportunidade de estar na companhia de doentes terminais. Eles “veem" os seus entes queridos ou membros da sua família a recebê-los na sua dimensão, ou a virem buscá-los. Muitos destes meus pacientes descreveram-me as suas visões e experiências antes de partirem. Ficam felizes quando "veem" a sua mãe ou o pai, ou um ser maravilhoso que sorri para eles... Sei que vão apreciar a sua luz. Preciso - as pessoas precisam - de saber mais sobre como gerir a situação e ajudar as pessoas no processo da morte, por causa desta luz. É da luz que viemos e é para a luz que voltamos. Pelo amor e felicidade que senti na luz e que também me apercebi nos meus pacientes, sei que o amor não acaba com a morte...”

Ela tem toda a razão. Realmente, a Luz e o Amor nunca acabam. Estão íntima e eternamente interligados.


Trecho do Livro “A Divina Sabedoria dos Mestres” – Descobrir a Luz – Brian Weiss

Informações adicionais

  • Complexidade do Texto: Avançado
Ler 186 vezes Última modificação em Terça, 20 Junho 2023
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