É ostensível que os budistas Zen dão ao Koan um significado totalmente diferente.
É óbvio que eles designam o Koan como um certo diálogo místico entre Mestre e discípulo. Por exemplo: certo monge perguntou ao Mestre Tung Shan: "Quem é o Buda?" O Mestre respondeu estranhamente: "Três chin (uma medida) de linho".
Um monge budista perguntou ao Mestre Chao Chou:
"Que sentido tem a chegada do Boddhisattwa procedente do Oeste?" A resposta foi: "O cipreste que está no jardim".
Enigmáticas respostas, não é verdade? Todas estas famosas histórias, narradas da forma anteriormente dita, são Koans.
É patente, claro e manifesto que Koan designa uma história Zen, uma situação Zen, um problema Zen.
O exercício esotérico Koan significa em regra geral: "buscar solução para um problema Zen". Exemplos para a Meditação: "Quem recita o nome do Buda?" "Se todas as coisas se reduzem à unidade, a que se reduz a unidade?"
É inquestionável que a mente jamais poderá resolver um problema Zen. É ostensível que o entendimento nunca poderá compreender a profunda significação de um Koan.
Sob todas as luzes, resulta fácil adivinhar que a mente desfalece quando trata de compreender integralmente qualquer Koan e, então, vencida, fica em profunda quietude e silêncio.
Quando a mente está quieta, quando está em silêncio, advém o novo.
Em tais instantes, a Essência, o Buddhata escapa do intelecto e, na ausência do Eu, experimenta isso que não é do tempo...
Esse é o Satori, o Êxtase dos Santos, o Samádi onde, em tais momentos, podemos vivenciar o Real, a Verdade.
Como a palavra Koan já é aceita oficialmente no Ocidente e é muito conhecida, é mister usá-la em nosso léxico gnóstico em vez da palavra chinesa Hua Tou.
Tanto Koan como Hua Tou são, portanto, utilizados em sentido geral e específico, respectivamente.
Na China antiga, os budistas Zen não usavam o termo Koan, pois eles preferiam dizer: " Exercício Hua Tou".
Um monge perguntou ao Mestre Chao Chou: "Um cachorro tem a natureza do Buda?"
O Mestre respondeu: Wu (não). Esta palavra "Wú", além de ser um mantra que se pronuncia com duplo U, como que imitando o som do furacão, é também, por si mesma, um Koan.
Trabalhar com o Koan Wu, mantendo a mente quieta e em silêncio, é algo maravilhoso.
A experiência do Vazio Iluminador nos permite vivenciar um elemento que nos transforma radicalmente.
Mensaje de Navidad 1969 - 1970 (18 de 25) - Mi Regreso al Tibet - Capítulo XLIX - Samael Aun Weor